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Logi, nil nisi amare tibi uolo

Atualizado: 13 de jun.

Crédito da foto: Imagem de homem pintando um quadro e cercado de livros, gerada pela Inteligência Artificial do Dall E


O conhecimento é belo e sublime e chama a cada alma disposta a isso – ou pré-disposta sem nem ter escolhido nada… Eu sempre o ouvi chamar meu nome, não fora, longe ao vento, mas dentro de mim como parte de quem eu era… Um eu que falava comigo de dentro e queria mais do que eu tinha no momento para lhe dar…

Eu me lembro de andar pela rua com onze anos e pensar nas meninas… Não na beleza, mas em como elas se sentiam sendo meninas… Qual é a sensação de ser uma…? Qual é a sensação de ser outra pessoa…? Isso é tão indescritível quanto por que o amor chama aos poetas e o mar aos viajantes de alma grande – e o conhecimento era um mar interior a me chamar; um oceano…

Meu céu tinha planetas, cometas, estrelas, mas acabava ali, e em cima havia o quarto dos meus pais. Esse céu era, de fato, o meu limite, e eu me perguntava por que as pessoas esperavam de mim um “Bom dia” aos grandes quando eu apenas queria dá-lo ao meu pequenito mundo… Como querer sair de um quarto empilhado de livros, sim, mas de muito mais do que isso: do segredo de um universo escondido, o qual cada autor naquelas paredes havia descoberto um pedaço e deixado para mim.

Meu filme era azul e verde como o mar, o céu invisível e ilusório para nós; há tanto mais do que podemos ver… O meu céu particular é uma modinha de pseudo-intelectuais e eu sou um deles com minha altivez de criança… Como chegar a ser um grande descobridor quando o mundo massacra as pequenas flores que tentam expressar uma opinião?! Vemos isso sempre!

É difícil ser uma exceção, porém talvez assim seja mais fácil… Muitas pessoas já entraram no meu quarto físico. Mas daí a sentir esse universo, ah, não! Isso eu não deixo de jeito nenhum! Desligo tudo, coloco a vida pra dormir! É o meu santuário, feito de equações, palavras e símbolos cujo estado sentido só eu tenho acesso…! Não quero dividi-lo com ninguém! Quero ser possesso em paz do meu segredo…

Mas algo deu errado: eu me apaixonei… E, de repente, o meu lugar de fuga era somente um dos que eu queria estar… Antes eu ia para ele para não sair mais, sabendo que ninguém me compreenderia e eu era dono de um oásis mágico…! Tudo meu apenas! Mas, de repente, essa menina… Menina doce dos olhos de camélia azul… Agora…, não é tão ruim estar aqui fora… Meus livros parecem excelentes, porém há outros bons também – outras histórias bonitas que eu sentia…

E tinha medo… Tinha medo do que me acontecia… Eu sentia me negar, mas, ao mesmo tempo, ela me atraía e eu não queria parar… Estava viciado nela; era como deixar alguém entrar em mim… Eu tinha medo de ser permissivo demais e acabar deixando outra pessoa ser e sentir o que eu era… Mesmo que fosse alguém que fazia meu coração bater mais forte e meu mundo parecer maior, rosa e principesco – ideal no amor e confortável… Como poderia autorizar outra alma aqui tomando a única coisa que me fazia especial…?

Eu sabia que devia haver outros como eu, e eu estava pronto para aceitar que eles poderiam cruzar o meu caminho… Porém, ver alguém assim, o que já não era 100% agradável, pois queria tudo para mim, e ainda vê-la me dominar me deixava louco! Eu tinha medo de ser um “nós” mal tendo podido ser um “eu”… Eu era tão jovem e ainda sou… Como permitir algo assim tão logo…?

Ainda assim, não há como negar que elas são nossa fraqueza… Elas nos deixam bobos, estupefatos, e a minha era uma princesa…! Sim, ela sabe que eu existo e que eu lhe dou a chave do meu mundo, do meu segredo, do meu coração… Meu eu… Dava-lhe tudo de bom grado por quão enfeitiçado estava por ela…! Era um tolo capaz das maiores insanidades por aquela joia que me fazia brilhar os olhos… Sim, brilhar, mas principalmente suspirar… Era tudo tão novo para mim: amar…, amor…

Confiei nela como quem confia em uma teoria comprovada… Espere, isso é contraditório: nós sempre esperamos haver mais do que estamos vendo quando tratamos do universo! A história nos ensinou isso, meus predecessores me ensinaram isso… Então o quê…?

Honestamente, eu não sei… Só sei que, se existe um deus lá fora, como muitos dizem e clamam, ele há de ter feito a mais sublime das criaturas quando criou ela… Para chegar ao ponto de fazer-me abrir mão de tudo e segui-la, dar-lhe tudo o que quisesse, como pode…?! Isso devia ser brincadeira! Eu valia mais do que uma peça que o universo me pregava! Mas a cada sorriso, a cada… existência dela, eu apenas queria…

E, quanto a mim, ao meu eu, ao que eu era…? Eu aprendi, duramente, infelizmente, que nunca iria embora, mesmo que ela fosse… Por quê? Porque eu nunca o vi ir, e é parte de mim como esse grande cosmos grego…! Habite-me, pequeno, e faça de mim tua morada pelo tempo em que lhe for digno! Prometo servir-te como o propósito da minha vida que de fato é… Eu clamo ao todo de tudo, à Teoria de Tudo e ao maior Tomás que existe! Deixo um T em sua porta para que sempre se lembre de mim… E, se a vida não te for receptiva, volte para nossa casa, que minha esposa e eu o trataremos com todo o amor…! Estarei esperando-te como aqueles que esperam milagres… Eu te venero, apaixonado por algo maior que habita em mim viciosa e prazerosamente… Indiferenciáveis somos… Sendo assim, como eu poderia, um dia, perder aquilo que, a cada nova manhã, desperta ao meu lado encoberto de amor?

 

Novembro/2019

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